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“Não quero mais ir ao Taekwondo”
Outubro 6, 2025“Não és o melhor da turma? Então isto não é para ti.”
Querer o melhor para a sua criança não é o mesmo que querer que ela seja a melhor, e essa diferença muda tudo.
Vivemos num tempo em que tudo parece ter de acontecer depressa. Se a criança não mostra talento ou aptidões logo à primeira, troca-se de desporto. “Se calhar não é para ela.” Se não ganha, muda-se de modalidade. Se não brilha, procura-se outro palco.
E assim, pouco a pouco, ensinamos que o valor está em acertar depressa, não em aguentar o processo.
Mas a verdade é dura e é bom que seja dita: A vida real não recompensa quem brilha logo à primeira. Recompensa quem fica. Quem cresce devagar, mas cresce. Quem falha e volta no dia seguinte. A criança que não é a mais rápida, a mais flexível ou a mais forte… mas volta ao treino, mesmo depois de um dia mau, essa criança está a aprender algo que não cabe numa medalha nem se mede num pódio.
Está a aprender a não desistir de si própria. Está a construir carácter e este não se ensina com vitórias fáceis. Ensina-se com o apoio da família e do sabum, com a frustração, o esforço, lágrimas mal disfarçadas e com o orgulho e a alegria que vem depois, quando se percebe: “eu consegui.”
O talento pode ser uma vantagem, mas a perseverança é o que muda destinos, e é isso que as artes marciais, quando são ensinadas com propósito, cultivam todos os dias.
Não formamos campeões de fim de semana. Formamos pessoas que aprendem a lutar com o que têm, até se tornarem o que querem ser.
Portanto, se o seu filho não é o melhor da turma, ótimo. Tenha calma e paciência, pois ele tem espaço para crescer.
E você terá a oportunidade de lhe ensinar algo que a sociedade anda a esquecer-se:
Que não há vergonha em começar pequeno, e que a força vem de insistir, mesmo quando é mais fácil ir embora.
Porque nem todos nascem prontos, mas todos podem tornar-se aptos.
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O lado negativo de querer o melhor para o seu filho.




