
O Taekwondo só usa as pernas?
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18 anos!!!
Junho 17, 2025Ser professor de artes marciais, para mim, nunca foi apenas ensinar técnicas. Nunca se resumiu a corrigir posturas, contar repetições ou preparar alunos para exames. Esse é o lado visível, o mais simples. Ser professor é assumir um papel invisível, mas imenso: o de formar seres humanos.
E afirmo com clareza, o mais difícil não é ensinar. O mais difícil… é calar. É aguentar o silêncio quando, vez após vez, vejo o compromisso e o amor de um aluno esbarrar contra a leveza com que alguns pais encaram este caminho.
Vejo crianças com brilho nos olhos, sede de aprender, prontas a dar tudo de si. Mas também vejo adultos à volta que tratam a arte marcial como um mero passatempo, um espaço para ocupar o tempo enquanto resolvem outras urgências. E compreendo… a vida hoje é uma luta constante, cheia de pressas e distrações. Não os julgo. Mas não deixo de sentir.
Custa ver a dedicação de um aluno ser interrompida por um “hoje estás cansado, não vais” quando, na verdade, quem está cansado são eles, os adultos que delegam o compromisso e não acompanham o verdadeiro esforço. Custa ver um jovem guerreiro chegar atrasado, faltar dois ou três treinos seguidos, e depois tentar, sozinho, segurar o próprio sonho. Porque, para muitos pais, isto é apenas um desporto. Para mim e para o meu aluno é fazer o que mais gostamos.
Há dias em que sei que bastava uma conversa franca com um enc. de educação para resolver tudo. Mas também sei que, se mal interpretado, posso perder o aluno. E com ele, todo o processo que vínhamos a construir com esforço e carinho. Por isso opto por ficar calado. E quando me calo, não é por medo. É por sabedoria. Porque o sonho e o amor daquela criança pela arte marcial valem mais do que qualquer desabafo meu.
Não acuso os pais. Muitos fazem o melhor que sabem, dentro do que podem e conhecem. Mas convido-os a olhar com mais atenção. A perceber que este espaço onde os filhos transpiram, caem e se levantam, é sagrado. Aqui não se preenche tempo, cultiva-se alma. E este “simples professor” que os acompanha está, todos os dias, a lutar pelo melhor que os vossos filhos podem ser.
Por isso continuo calado. Mesmo quando tudo me diz para falar. Porque o mundo precisa de homens e mulheres inteiros e isso começa na infância. Cada criança que ajudo a crescer com honra, disciplina e coragem é uma semente de algo maior do que eu.
Um dia talvez tarde demais para o mundo notar, mas nunca tarde para o coração sentir, os mesmos que hoje tratam a academia como um simples ATL hão de compreender que este tatami foi, afinal, um templo. Um lugar sagrado onde os vossos filhos aprenderam o que significa ter palavra, ter rumo e ter espinha dorsal.
Porque ser professor de artes marciais é ser ponte entre gerações, entre sonhos e realidades. E por vezes, é ser muralha. Uma muralha que suporta em silêncio o que outros não têm coragem de encarar. Que não se impõe, mas se mantém. Que não grita, mas guia. Que não exige, mas inspira.
É amar tanto o futuro, que até o silêncio se torna parte do ensino.




